Reforma Politica foi feita sob medida para enrolados na Lava Jato. Saiba Porque


A reforma política em discussão na Câmara dos Deputados e que pode ser votada nesta quarta-feira (16) tem pelo menos dois pontos que beneficiarão partidos e parlamentares envolvidos na Operação Lava Jato. O primeiro é o modelo de voto distrital, conhecido como “distritão”, que prevê a eleição dos candidatos mais votados, sem levar em consideração o coeficiente partidário. Por esse sistema, apenas sete de 62 deputados federais investigados não seriam eleitos hoje.
O segundo ponto é a distribuição do fundo de financiamento público eleitoral, que deve ficar em R$ 3,6 bilhões para as próximas eleições. Os partidos com mais políticos envolvidos na Lava Jato ficarão com uma fatia maior dos recursos. Juntos, PMDB, PT, PSDB e PP, por exemplo, receberão 44,4% do valor total distribuído entre as legendas. O cálculo leva em consideração a representatividade dos partidos nas eleições de 2014 na Câmara e no Senado.

Apenas 11 dos 35 partidos terão mais de R$ 100 milhões do fundo: PMDB, PT, PSDB, PP, PSB, PR, DEM, PRB, PTB e PDT. Juntas, as 11 legendas receberão 72,8% dos recursos do fundo de financiamento público. Pelo cálculo em discussão na reforma política, o partido que mais receberá verbas públicas para as eleições é o PMDB – R$ 496 milhões, seguido pelo PT (R$ 447 milhões) e PSDB (R$ 386,9 milhões).
Entre os 54 parlamentares investigados na Lava Jato que seriam eleitos mesmo se o modelo de voto distrital estivesse em vigor, o caso mais emblemático é o de Beto Mansur (PP-SP), vice-líder do governo na Câmara e um dos parlamentares da “tropa de choque” de Michel Temer.
O deputado recebeu apenas 31,3 mil votos em 2014, mas foi eleito graças ao coeficiente partidário, que é um número obtido através da divisão da votação de cada partido pelo total de votos válidos. Ao todo, 68 suplentes tiveram mais votos que Mansur e, no “distritão”, teriam sido eleitos, deixando o vice-líder do governo sem uma cadeira na Câmara.
Além de Mansur, não teriam sido eleitos os deputados investigados José Otávio Germano (PP-RS), Lázaro Botelho Martins (PP-TO), Vicentinho Paulo da Silva (PT-SP) e os suplentes João Sandes Junior (PP-GO), Yeda Crusius (PSDB-RS) e Paulo Henrique Lustosa (PP-CE).


Fonte: NBO